quinta-feira, 1 de outubro de 2015

O “CRASH” DA BOLSA CHINESA


1.  A notícia segunda a qual as principais bolsas chinesas vivem uma situação de “crash”, é demasiado inquietantes, pois se trata da segunda maior economia do mundo. Os números anunciados são assustadores: em apenas num mês, houve uma perda de 32% de valor bolsista, e 75% das empresas cotadas nessas Bolsas foram suspensas. Isto remete-nos para o fatídico ano de 1929, nos Estados Unidos, com o rebentamento da “bolha especulativa” que despoletou “A Grande Depressão”.

 

2.  Oficialmente, “A Grande Depressão” iniciou no dia 24 de Outubro de 1929, embora, já desde Julho desse ano se viesse a registar uma acentuada queda na produção industrial norte-americana. No dia 24 de Outubro, ruíram as acções na Bolsa de Nova Iorque, o que lhe valeu a designação de “A Quinta-Feira Negra”. Do dia para a noite, milhares de accionistas perderam boa parte das suas poupanças – nalguns casos, inclusive, a totalidade.

 

3.  Situação dramática: deflação; encerramento de empresas; aumento exponencial do desemprego; redução assustadora do PIB. O fenómeno depressivo prosseguiu e espalhou-se um pouco por todo o mundo, muito em especial na Europa mas, ainda, no Canadá e Austrália. Escaparam alguns países pouco industrializados -  e a União Soviética, uma “economia fechada”.

 

4.  Em 1933, inspirado nas ideias do economista inglês, John Maynard Keynes, autor da “Teoria geral do emprego, do juro e da moeda”, o Presidente norte-americano, Franklin Delano Roosevelt, definiu o seu “New Deal”, com as seguintes traves-mestras: i) Investimento maciço em obras públicas – para gerar milhões de empregos; ii) Destruição dos “stocks” de gêneros agrícolas – para conter a queda dos seus preços; iii) Redução da jornada de trabalho – para criar mais postos de trabalho; iv) Fixação do salário mínimo; v) Assistência médica gratuita; vi) Criação do seguro-desemprego e do seguro – velhice, para maiores de 65 anos.

 

5.  Eis a explicação para o rebentamento da “bolha especulativa” na China: O mercado bolsista foi estimulado por margens bastante atractivas, aliadas a uma política deliberada do poder chinês de incentivo a aplicação de poupanças em acções, por parte do cidadão comum, o que resultou em sobrevalorização artificial dos activos. Agora a “bolha” estourou, desencadeando um apressado recurso à venda dos activos.

 

6.  As autoridades chinesas buscam agora soluções imediatas como, por exemplo: i) impedimento, durante seis meses, da venda de acções por accionistas que detenham mais de 5% do valor das empresas; ii) limitar os montantes de crédito destinados à compra de acções; iii) impedimento às empresas estatais de negociarem acções na bolsa; iv) suspensão de novas entradas na Bolsa; v) injecção de liquidez; vi) criação de um fundo apoiado por vários intermediários financeiros; etc. Medidas até agora ineficazes.

 

7.  O “crash” da Bolsa chinesa produzirá ondas de choque sobre as principais bolsas internacionais, e, sobretudo, fará diminuir a aquisição de matérias-primas. Penso que Angola terá certa dificuldade em escapar à actual má prestação do grande parceiro estratégico.

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